Um caso recente chamou a atenção do país. Um homem viajou mais de 2 mil quilômetros, do Maranhão até Belo Horizonte, para encontrar uma mulher com quem conversava pelas redes sociais. Ela não existia: era um perfil criado por inteligência artificial (IA). Segundo a reportagem, a Polícia Civil informou que, até aquele momento, o caso não tinha sido registrado.
A notícia não fala em prejuízo financeiro nesse caso. Mas ela mostra como vídeos e conversas artificiais podem convencer. É o que golpistas procuram.
Como o golpe funciona e quais são os sinais de alerta
Um especialista ouvido pela reportagem explica que o vídeo falso funciona como isca. A pessoa acredita na mensagem e pode passar dados pessoais, acessar páginas fraudulentas ou instalar programas maliciosos.
Na prática, o golpe costuma começar com um perfil atraente, uma promessa de romance, de ajuda ou de oportunidade. Depois vêm os pedidos: um link, um cadastro, um aplicativo, uma transferência.
Fique atento se:
- alguém que você nunca encontrou faz promessas grandes, como sustentar você ou morar junto;
- a conversa avança rápido demais e parece automática;
- há pedido de dados pessoais, de cliques em links ou de instalação de aplicativos;
- existe pressa ou urgência para decidir;
- o vídeo, a voz ou a imagem parecem estranhos.
Este último sinal não basta. Especialistas alertam que as falhas visíveis estão ficando mais raras, porque os deepfakes (conteúdos falsos criados por IA) estão mais sofisticados.
Como se proteger
- Verifique a origem. Antes de clicar, compartilhar informações ou fazer qualquer transação, confira quem está pedindo e por quê.
- Confirme por outro caminho. Se a pessoa diz ser conhecida ou de uma empresa, procure-a por um canal que você já tenha.
- Desconfie de promessas fáceis vindas de perfis que você só conhece pela internet.
- Use detectores com cautela. Existem ferramentas de análise, como SynthID, Hive AI e Reality Defender. Segundo o especialista, nenhuma é infalível. Elas dão indícios, e a confirmação depende também da fonte e do contexto.
- Saiba que as marcas d'água nem sempre existem. A tecnologia C2PA ajuda a rastrear a origem de alguns conteúdos, mas nem todas as plataformas a utilizam.
Depois do caso, a Prefeitura de Belo Horizonte também alertou que imagens, vídeos e conversas podem ser produzidos artificialmente. Isso exige atenção antes de confiar em pessoas conhecidas pela internet.
O que fazer se você caiu
Agir rápido ajuda. Entre as medidas possíveis:
- Contestar no banco imediatamente qualquer transferência, Pix ou compra feita por causa do golpe. Peça o número de protocolo.
- Registrar boletim de ocorrência, de preferência com todos os detalhes do que aconteceu.
- Guardar as provas. Faça prints das conversas, dos perfis, dos links e dos vídeos. Guarde comprovantes e extratos. Não apague nada.
- Denunciar o perfil na plataforma onde ele apareceu.
- Trocar senhas se você clicou em links ou instalou algo suspeito.
Em alguns casos, o banco pode ser responsabilizado, por exemplo se houve falha de segurança no serviço. Isso depende das circunstâncias, e cada caso deve ser analisado individualmente.
Um advogado ouvido pela reportagem lembra que o uso de um vídeo falso como instrumento de golpe é ilegal. Se houver fraude eletrônica, a pena prevista é de quatro a oito anos de reclusão e multa, podendo haver aumentos conforme o caso. A pena acompanha o crime praticado, não a tecnologia usada.
Segundo ele, a vítima pode, conforme os danos e a responsabilidade demonstrados, buscar na Justiça o ressarcimento de prejuízos financeiros e indenização por danos morais. Também pode pedir a retirada do conteúdo e medidas urgentes para interromper sua divulgação. Como regra, a reparação civil não depende de condenação criminal.
Fonte: CNN Brasil.