Uma sentença trabalhista chamou atenção por um motivo curioso: ao negar o pedido de justiça gratuita de uma bancária, o juiz levou em conta a renda dela e também o celular que ela disse ter. Entender esse caso ajuda quem pensa em entrar com uma ação a se planejar melhor.

O que aconteceu no processo

A trabalhadora apresentou vários pedidos contra a instituição financeira e contra um agente de integração. Entre eles estavam questões ligadas a contrato de estágio, equiparação salarial, acúmulo de função, comissões, participação nos lucros e resultados e indenização por dano moral.

Na sentença, os pedidos contra a instituição financeira foram considerados improcedentes, ou seja, o juiz entendeu que não havia fundamento para acolhê-los. Já os pedidos contra o agente de integração foram extintos sem análise do mérito. Isso significa que o juiz nem chegou a decidir se a trabalhadora tinha razão sobre esses pontos.

Por que a gratuidade foi negada

A justiça gratuita serve para quem não tem condições de pagar custas do processo e honorários de advogado. Foi justamente isso que o juiz avaliou.

Segundo a decisão, a trabalhadora havia recebido valor superior a 40% do teto dos benefícios previdenciários em 2024. O patamar foi indicado na sentença como R$ 3.114,40.

O juiz também citou uma informação dada pela própria trabalhadora em depoimento: ela possui um iPhone 16. Para o magistrado, esse tipo de aparelho não combina com a condição de quem alega não ter como pagar as despesas do processo. Com esses fundamentos, o pedido de gratuidade foi rejeitado.

As consequências financeiras

Sem a gratuidade, a trabalhadora foi condenada a pagar:

  • R$ 10.981,55 em custas processuais, calculadas sobre o valor atribuído à ação;
  • honorários advocatícios de 5% sobre o valor atualizado da causa, em favor da parte contrária.

Ou seja, além de perder os pedidos, ela passou a ter uma dívida relevante por causa do processo.

O que isso significa para você

Esta é uma decisão de primeira instância. Em regra, ela ainda pode ser questionada por meio de recurso, e outro julgador pode ter entendimento diferente. Também não é uma regra que vale para todos os casos: cada juiz analisa as provas apresentadas em cada processo.

Mesmo assim, o caso traz alguns alertas práticos:

  • Sua renda conta. O valor que você recebe pode ser comparado a parâmetros usados pelo juiz para avaliar a gratuidade.
  • O que você diz no processo também conta. Informações dadas em depoimento, como bens que você possui, podem ser levadas em consideração.
  • Pedir gratuidade não é garantia de que ela será concedida. O juiz pode negar se entender que a situação financeira permite arcar com as despesas.
  • Perder a ação pode custar caro. Custas e honorários podem chegar a valores altos, dependendo do valor da causa.

Por isso, antes de entrar com uma ação, vale conversar com um advogado de confiança. Ele pode avaliar sua situação financeira, os documentos necessários, os riscos e o que pode ser pedido em cada caso. Quem não tem condições de arcar com as despesas pode ter alternativas, mas isso depende de uma análise individual.

Fonte: Direito News.