Como o golpe funciona
O golpe costuma atingir quem vende algo pela internet ou em aplicativos de mensagem: celular, moto, roupas, eletrodomésticos, até serviços.
O golpista combina a compra e diz que vai pagar por Pix. Depois, ele usa um de dois caminhos:
- Pix agendado: ele agenda o pagamento para outro dia, envia o comprovante de agendamento e pede que o produto seja entregue ou enviado logo. Antes da data, cancela o agendamento. O dinheiro nunca chega.
- Comprovante falso: ele manda um print ou PDF editado, que imita a tela de um banco e mostra um pagamento que não existiu.
Há ainda uma variação. O golpista diz que pagou um valor maior por engano e pede a devolução da diferença. Se a vítima transfere o "troco", perde dinheiro de verdade, porque o pagamento original nunca foi feito.
Sinais de alerta
- Pressa para receber o produto, com frases como "já está pago, pode enviar".
- Comprovante enviado só como imagem ou arquivo, sem que o valor apareça no seu extrato.
- Documento escrito "agendado" ou "em processamento" em vez de pagamento concluído.
- Pedido de devolução de valor pago a mais.
- Recusa em esperar a confirmação ou insistência para que você não confira o app do banco.
- Pedido para enviar o produto por motoboy ou transportadora antes da confirmação.
Como se proteger
- Confira o dinheiro no seu próprio aplicativo ou extrato. O comprovante que o comprador envia não prova nada.
- Lembre que Pix agendado ainda não é dinheiro na sua conta. O pagador pode cancelá-lo antes da data.
- Só entregue o produto depois que o valor aparecer como recebido.
- Desconfie de pedidos de devolução de "troco". Se houver pagamento a maior, o ideal é que o próprio comprador peça a devolução pelo banco dele.
- Guarde as conversas, os anúncios e os dados do comprador desde o início da negociação.
O que fazer se você caiu
Aja o mais rápido possível:
- Contate o banco imediatamente, pelos canais oficiais, e conteste a operação. Se você transferiu dinheiro, peça a análise da transação e a tentativa de devolução.
- Registre um boletim de ocorrência, que pode ser feito em delegacia ou, em muitos locais, pela internet. Descreva o golpe com todos os detalhes.
- Guarde todas as provas: prints das conversas, anúncio, comprovante falso, número de telefone, dados da conta do golpista, protocolo de atendimento do banco e comprovantes de envio do produto.
- Não apague nada e não continue negociando com o golpista.
Em alguns casos, o banco pode ser responsabilizado. Isso é mais comum quando a vítima transferiu dinheiro real e houve falha de segurança, como movimentação fora do padrão, demora para agir após o aviso ou conta de destino com indícios de fraude.
Por outro lado, se o pagamento nunca existiu e você entregou o produto, a responsabilidade do banco é mais difícil de sustentar, porque o dinheiro nunca saiu da conta de ninguém. Cada caso deve ser analisado de forma individual, com base nas provas, e não há garantia de resultado.
Se você foi vítima, procure orientação jurídica para avaliar quais medidas fazem sentido no seu caso.
Base legal: Código Penal, art. 171 (estelionato); Código de Defesa do Consumidor, art. 14; Súmula 479 do STJ.