Você recebe uma mensagem oferecendo empréstimo consignado com juros baixos e aprovação rápida. Parece uma boa chance. Mas pode ser um golpe, e ele costuma envolver dinheiro que sai da sua conta antes de qualquer empréstimo existir.
Como o golpe funciona
O contato chega por WhatsApp, SMS, ligação ou redes sociais. O golpista diz ser de um banco, de uma financeira ou de um "correspondente bancário". Ele afirma que seu crédito já está aprovado.
Depois, o golpe costuma seguir um de dois caminhos:
- Cobrança antecipada: para "liberar" o empréstimo, pedem um depósito ou Pix. O nome varia: taxa, seguro, caução, imposto ou "comprovação de capacidade de pagamento". O empréstimo nunca chega.
- Devolução de valor: alguém faz um depósito na sua conta e pede que você devolva por Pix, dizendo que foi um erro ou que era o "adiantamento" do empréstimo. Em alguns casos, esse dinheiro tem origem em outra fraude. Em outros, o golpista usa seus dados para contratar um crédito em seu nome e quer o valor de volta.
Em ambos os casos, o objetivo é fazer você transferir dinheiro para uma conta controlada pelo criminoso.
Sinais de alerta
- A oferta chegou sem você ter pedido.
- Cobram qualquer valor antes de liberar o empréstimo.
- Pedem senhas, códigos recebidos por SMS, dados do cartão ou acesso ao aplicativo do banco.
- Há pressa: "só hoje", "vaga limitada", "a margem vai expirar".
- O pagamento é pedido para a conta de uma pessoa física ou para um nome diferente do da empresa.
- Mandam um link ou aplicativo desconhecido para você instalar.
- Prometem aprovação garantida, sem análise.
Como se proteger
- Desconfie de quem cobra para liberar crédito. Em regra, as taxas e os custos do contrato devem estar claros no próprio contrato, e não ser exigidos à parte por Pix.
- Procure o banco por canais oficiais, como o aplicativo ou o telefone impresso no cartão. Não use o número que a pessoa enviou.
- Nunca compartilhe senhas ou códigos de confirmação.
- Se aparecer um depósito que você não esperava, não devolva por conta própria. Fale com o banco e pergunte qual é o procedimento correto.
- Se você é aposentado ou pensionista do INSS, confira no Meu INSS se há empréstimos que você não reconhece.
- Leia o contrato com calma antes de assinar ou aceitar qualquer proposta.
O que fazer se você caiu
- Avise o banco imediatamente. Conteste a transação pelos canais oficiais e peça um número de protocolo. Quanto antes o banco souber, maiores as chances de ele agir.
- Registre um boletim de ocorrência. Se possível, faça-o em uma delegacia ou pela delegacia virtual do seu estado.
- Guarde todas as provas: prints de conversas, números de telefone, comprovantes de Pix ou depósito, extratos, e-mails, links, áudios e protocolos de atendimento.
- Se foi feito um empréstimo em seu nome, conteste a contratação por escrito e guarde a resposta do banco. Não ignore as parcelas descontadas sem orientação.
Em alguns casos, o banco pode ser responsabilizado pelos prejuízos causados por fraude, principalmente quando houver falha na segurança do serviço ou quando a operação fugir do seu perfil habitual.
Isso não é automático. Cada caso deve ser analisado, considerando como a fraude aconteceu, se você forneceu dados e como o banco agiu. Procurar orientação jurídica pode ajudar a entender quais medidas são possíveis na sua situação.
Base legal: Código de Defesa do Consumidor, art. 14; Código Penal, art. 171; Súmula 479 do STJ.