A Polícia Civil da Bahia fez uma operação contra um grupo investigado pelo chamado golpe do falso advogado. Dois suspeitos foram presos preventivamente em São Paulo. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 3,5 milhões em contas dos investigados e de supostos intermediários. Os presos são suspeitos, e a investigação continua. O caso serve de alerta para quem tem ou já teve processo na Justiça.

Como o golpe funciona e quais são os sinais

Segundo a investigação, os criminosos conseguiam dados reais de processos em andamento. Tinham o número da ação, o nome das partes, o valor de indenização ou acordo e até o nome do advogado responsável. Por isso, o contato parecia verdadeiro.

O golpe seguia, em geral, estes passos:

  • O golpista chamava a vítima por aplicativo de mensagens, fingindo ser o advogado dela.
  • Dizia que havia uma decisão favorável e dinheiro a ser liberado.
  • Enviava documentos falsos, com aparência de oficiais, como um alvará.
  • Outro integrante dizia ser o juiz do caso e fazia uma chamada de vídeo.
  • Pedia que a vítima espelhasse a tela do celular, para um "procedimento de liberação".
  • Com acesso ao aplicativo do banco, induzia a vítima a fazer transferências por Pix, para contas de terceiros.

Entre as desculpas usadas estavam um suposto Imposto de Renda antecipado e a necessidade de liberar valores ou limites de empréstimo. A vítima também era orientada a desativar recursos de segurança do aplicativo do banco.

Sinais de alerta:

  • Contato por número desconhecido, dizendo ser seu advogado.
  • Pedido de pagamento para "liberar" dinheiro que você teria a receber.
  • Pressa, urgência e pedido de sigilo.
  • Pedido para compartilhar a tela do celular ou desativar a segurança do banco.
  • Juiz que fala com você diretamente por vídeo para pedir transferência.
  • Pix para pessoa ou empresa sem relação com o seu processo.

Como se proteger

A principal regra é simples: não faça nenhuma transferência com base em mensagem recebida. Antes, confirme tudo com o seu advogado por um canal que você já conhece, como o telefone do escritório. Não use o número ou o link enviado pela pessoa que entrou em contato.

  • Nunca compartilhe a tela do celular com quem você não conhece.
  • Não informe senhas, códigos ou dados do banco.
  • Não desative as proteções do aplicativo bancário a pedido de ninguém.
  • Lembre-se: o dinheiro de uma ação não costuma exigir que você pague antes para receber.
  • Desconfie de documentos que chegam por mensagem. Você pode pedir informações ao seu advogado e acompanhar o processo pelos canais oficiais.

A própria Polícia Civil orienta confirmar diretamente com o advogado, por canais oficiais, e não compartilhar tela nem dados bancários.

Caiu no golpe? O que fazer

Aja rápido. Cada minuto pode importar.

  • Ligue para o banco imediatamente pelo canal oficial. Conte que foi golpe e peça a contestação das operações e a tentativa de bloqueio dos valores.
  • Registre um boletim de ocorrência, na delegacia ou, se disponível na sua cidade, pela internet.
  • Guarde todas as provas: prints das conversas, números de telefone, áudios, documentos falsos recebidos, comprovantes de Pix e extratos.
  • Troque as senhas do aplicativo do banco e reative as proteções que foram desligadas.
  • Avise seu advogado verdadeiro, pois os dados do seu processo foram usados.

Em alguns casos, o banco pode ser responsabilizado, por exemplo se a operação fugiu muito do seu padrão de uso e não houve a devida proteção. Mas isso depende dos detalhes. Quando a própria vítima faz a transferência, a discussão costuma ser mais difícil. Por isso, cada caso deve ser analisado individualmente, com as provas em mãos.

Fonte: CNN Brasil.